Um líder religioso foi denunciado por importunação sexual por fiéis em Cidade Ocidental, no Entorno do Distrito Federal. Os casos foram registrados na Polícia Civil e apontam relatos de vítimas que afirmam ter sofrido atos dentro da igreja, na casa do suspeito e também no carro dele, em diferentes períodos.
O primeiro boletim de ocorrência foi registrado no dia 18 de fevereiro de 2026, quando vítimas procuraram a Subdelegacia de Polícia de Cidade Ocidental para relatar os fatos. Outros registros foram feitos nos dias seguintes, após novas vítimas decidirem formalizar as denúncias.
Segundo os registros, uma das vítimas relatou que conheceu o suspeito na igreja, onde ele exercia função de liderança religiosa e era responsável por grupos de jovens e outras atividades. A vítima afirmou que, com o passar do tempo, o homem passou a pedir fotos e teve contato físico sem consentimento, em situações que ocorreram em sua residência e também no veículo.
Outro denunciante afirmou que conheceu o suspeito ainda criança, quando frequentava a igreja. Segundo o relato, os episódios começaram quando ele tinha cerca de 10 anos e continuaram ao longo dos anos. A vítima afirmou que os atos aconteceram em locais como a casa do suspeito, o carro e também em eventos e nas dependências da igreja.
Uma terceira vítima relatou que os fatos teriam ocorrido quando ela tinha 18 anos. Segundo o boletim, o denunciante afirmou que o suspeito se aproximou por meio da relação religiosa e, ao longo do tempo, passou a pedir fotos e realizar toques físicos. A vítima disse que os episódios ocorreram em diferentes momentos e que teve medo e vergonha de contar o que havia acontecido.
De acordo com os registros, algumas vítimas afirmaram que o suspeito pedia para que mensagens fossem apagadas e orientava que os fatos não fossem contados a outras pessoas. Os relatos indicam ainda que outras pessoas da igreja também teriam conhecimento das denúncias e que algumas vítimas decidiram procurar a polícia após saberem que outras pessoas teriam passado por situações semelhantes.
Os boletins também apontam que, após os fatos se tornarem conhecidos dentro da igreja, o suspeito foi afastado das funções religiosas. Segundo os registros, ele deixou Cidade Ocidental e passou a residir em Goiânia. O endereço atual não foi informado.
A Polícia Civil registrou os casos como importunação sexual, com base no artigo 215-A do Código Penal. A classificação é inicial e pode ser alterada conforme o andamento das investigações.
Vereador diz que soube por familiares e orientou procura à polícia
Durante sessão plenária na Câmara Municipal de Cidade Ocidental, o assunto esquentou os embates. O vereador Danielzinho Lima (MDB), que acompanha o caso após receber relatos de familiares das vítimas, afirmou em entrevista ao Jornal Opção Entorno que teve conhecimento inicial da situação por meio de denúncias informais.
Segundo o parlamentar, as primeiras informações chegaram como rumores e, por isso, não foram divulgadas publicamente. “Conforme foi apresentado no meu discurso na tribuna, chegou até mim, por intermédio de familiares membros da instituição religiosa boatos no sentido de que estariam acontecendo os fatos noticiados pela mídia na igreja em questão”, disse.
Ele afirmou ainda que não levou o caso à imprensa naquele momento por não ter provas. “Tais informações não foram noticiadas por este parlamentar, pois conforme informado no discurso, haviam apenas ‘boatos’ de que tais fatos estariam acontecendo na igreja em questão, não possuindo esse parlamentar provas para proferir qualquer juízo de acusação em relação ao suposto autor”, declarou.
Danielzinho Lima também afirmou que orientou os envolvidos a procurarem as autoridades. “Ao tomar conhecimento dos boatos, prontamente orientei a procurarem a polícia civil, ministério público e cientifiquei ao Pastor Presidente da referida igreja para averiguar as informações afim de que ele pudesse tomar providência”, afirmou.
Sobre o acompanhamento das vítimas e familiares, o vereador disse que não possui detalhes. “Não possuo essa informação”, declarou.
Questionado sobre a situação atual do investigado dentro da igreja, o parlamentar também afirmou que não tem informações. “Não possuo essa informação”, disse.
Em relação ao andamento do caso, Danielzinho Lima afirmou que pretende acompanhar a situação. “Não possuo essa informação, mas tenho interesse em continuar acompanhando o caso, na intenção de propor políticas públicas que visem coibir e proteger crianças e adolescentes neste tipo de situação”, afirmou.
Nota da igreja
Em nota, a Igreja Batista Missionária Global Mission (IBM Global Mission) informou que tomou conhecimento dos relatos envolvendo conduta supostamente inadequada atribuída a uma pessoa vinculada à liderança e afirmou que trata a situação com máxima seriedade, responsabilidade e rigor institucional.
A igreja declarou que, desde o recebimento das primeiras informações, adotou providências imediatas e formais, incluindo medidas internas de caráter preventivo e comunicação às autoridades competentes, para que os fatos sejam apurados dentro da legalidade.
A instituição afirmou ainda que repudia qualquer conduta incompatível com seus valores e que não fará julgamento público antecipado, nem divulgará nomes ou detalhes, em respeito à intimidade das pessoas e ao andamento das investigações.
No comunicado, a igreja também informou que está colaborando integralmente com as autoridades, adotou medidas internas para garantir o tratamento responsável da situação e reforçou que não tolera ataques, exposições indevidas ou ameaças contra possíveis vítimas, familiares, membros ou outras pessoas envolvidas.
A instituição reafirmou o compromisso com a verdade, com a justiça e com a transparência, e informou que novas manifestações serão feitas apenas por canais oficiais e quando houver elementos formais sobre o caso.
A reportagem tentou contato com o suspeito e com o advogado dele, mas até o momento não conseguiu localizá-los nem obter retorno. O espaço segue aberto para manifestações.

