O Brasil está envelhecendo – e uma parcela crescente dessa população não pretende reduzir o ritmo. Dados recentes mostram avanço consistente do número de empreendedores com mais de 60 anos, movimento que tem alterado o perfil do mercado e ampliado o debate sobre maturidade produtiva. Foi nesse contexto que o Movimente 2026 realizou, nesta terça-feira (3), em Brasília, o I Encontro Regional Centro-Oeste de Empreendedorismo Sênior.
A iniciativa reuniu empreendedores, especialistas e representantes do Sistema Sebrae para discutir como experiência acumulada, redes de relacionamento e conhecimento técnico têm sido convertidos em novos negócios e fontes de renda após os 60 anos.
Durante o painel, a diretora de Administração e Finanças do Sebrae Nacional, Margarete Coelho, destacou a necessidade de desenvolver soluções específicas para públicos com desafios próprios. Segundo ela, o avanço do empreendedorismo sênior exige políticas customizadas. “Percebemos que o Sebrae faz muito, mas era hora de estruturar produtos voltados a segmentos que enfrentam realidades diferentes. A criação de uma diretoria dedicada ao empreendedorismo feminino, diversidade e inclusão faz parte dessa estratégia”, afirmou.
Margarete também mencionou o conceito NOLT (New Older Living Trend), que define uma nova forma de viver a maturidade, marcada por autonomia e permanência ativa no mercado. “Protagonismo não tem idade. Não se trata de resistir apesar da idade, mas de permanecer no centro da própria trajetória”, disse.
A gerente nacional de Empreendedorismo Feminino, Diversidade e Inclusão do Sebrae, Georgia Nunes, ressaltou que empreender depois dos 60 tem se consolidado como alternativa concreta de trabalho e propósito. “Empreender após os 60 anos tem se tornado uma escolha para quem deseja transformar conhecimento acumulado em renda e novas possibilidades. É uma ferramenta poderosa de inclusão produtiva e também de redução das desigualdades de gênero. Para muitas mulheres, representa autonomia financeira e transformação social”, afirmou.
Já a presidente do Conselho da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC Nacional), Ana Claudia Cotait, destacou o alcance territorial da rede e o papel da liderança feminina nesse processo. “O CMEC está presente em cerca de 950 municípios. São lideranças femininas que formam outras lideranças. É um processo de colaboração entre mulheres que transforma mentalidades e cultura e queremos apoiar também mulheres com mais de 60 anos que decidam empreender”, afirmou.
O encontro regional teve como objetivo mobilizar e ampliar a autonomia econômica da população 60+ no Centro-Oeste, além de reforçar o debate sobre etarismo no mercado de trabalho. A proposta foi discutir caminhos práticos para que experiência e trajetória profissional sejam reconhecidas como ativos econômicos.
Roberta Miranda compartilha trajetória e desafios no empreendedorismo
A programação contou ainda com a participação da cantora e compositora Roberta Miranda, que falou sobre sua trajetória na música e os desafios enfrentados ao longo da carreira. Ela relembrou a infância na Paraíba, os obstáculos no início da vida profissional e o enfrentamento ao machismo em um mercado historicamente dominado por homens.
“Enfrentei muito preconceito e precisei construir meu espaço praticamente sozinha. Hoje, existe apoio, orientação e estrutura para quem quer empreender. Hoje o Sebrae se apresenta como um espaço fundamental de apoio para mulheres que querem empreender. Isso faz toda a diferença”, afirmou.
Roberta destacou que autonomia profissional exige perseverança e escolha consciente de ambientes e parcerias. “Quando alguém tenta nos colocar para baixo, precisamos sair de perto. A vida é um livro, e o que faz diferença é a leveza com que seguimos escrevendo nossa história”, finalizou.
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Créditos das Notícias Sebrae DF

