O caso envolvendo a negociação do Banco Master com o Banco de Brasília (BRB) trouxe dúvidas sobre a situação política do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e da vice-governadora, Celina Leão (PP). Entre os questionamentos estão a possibilidade de impeachment, a abertura de CPI na Câmara Legislativa do DF (CLDF) e os impactos eleitorais para ambos.
Para analisar o cenário, o Jornal Opção Entorno ouviu o especialista em direito eleitoral Leandro Gabiati, do Ibmec Brasília. Segundo ele, pedidos de impeachment apresentados pela oposição costumam enfrentar dificuldades no DF, já que o governo possui maioria sólida na CLDF e controle da agenda legislativa.
De acordo com o especialista, esse cenário se repete não apenas no Distrito Federal, mas também em outras assembleias legislativas do país. “É normal que o governo tenha uma maioria sólida e controle praticamente todas as agendas. A oposição tenta avançar com um pedido desse tipo, mas esse equilíbrio político acaba se repetindo também no caso de CPI”, afirmou Gabiati.
Sobre a vice-governadora Celina Leão, o especialista avalia que, até o momento, ela tem se mantido afastada do caso e não tem se manifestado sobre a negociação do BRB. “Ela tem, de forma muito inteligente, ficado longe dessa questão. Preliminarmente, não seria afetada pela situação do BRB”, disse. Segundo ele, pode haver desgaste durante o período eleitoral, mas a vice-governadora tende a tratar de outros temas e evitar o assunto.
Já em relação ao governador Ibaneis Rocha, o cenário é considerado mais delicado. Gabiati avalia que o desgaste político é maior, principalmente por ele ocupar o cargo de governador e aparecer citado em depoimentos e reuniões. “Uma candidatura ao Senado que estava praticamente fechada hoje enfrenta problemas. Há, inclusive, aliados que sugerem que o governador permaneça no cargo para equacionar a situação do BRB”, afirmou.
Quanto à possibilidade de instalação de uma CPI na CLDF, o especialista considera improvável que a iniciativa avance. Segundo ele, o governo possui ampla maioria entre os deputados distritais e o presidente da Casa é alinhado ao Executivo. “Mesmo que houvesse a instalação de uma CPI, o governo teria controle quase absoluto. Não há ambiente político para isso neste momento”, avaliou.
No campo jurídico, o caso avançou nesta quarta-feira (04), quando o Superior Tribunal de Justiça (STJ) solicitou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre um pedido de investigação contra o governador Ibaneis Rocha, relacionado ao caso Banco Master. A solicitação foi apresentada por partidos de oposição — PT, Rede, PDT, PCdoB e PV — que também pedem o afastamento do governador para evitar possível interferência nas apurações.
O pedido está sob análise do vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand, e tem como relatora a ministra Isabel Gallotti. A investigação envolve a negociação de venda do Banco Master para o BRB, banco controlado pelo Governo do Distrito Federal.
Em depoimento à Polícia Federal, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou que teve conversas institucionais com Ibaneis Rocha durante as negociações. Segundo ele, os encontros foram poucos e não houve detalhamento do conteúdo das conversas. Após o anúncio da compra, avaliada em R$ 12 bilhões, o governador chegou a comemorar publicamente o negócio. A Justiça Federal de Brasília apontou que a aquisição ocorreu por “pura camaradagem”.
Em nota, o Governo do Distrito Federal afirmou que a representação dos partidos tem motivação política e que o processo segue o rito normal no STJ, cabendo ao Ministério Público decidir os próximos passos. O caso também gerou desconforto interno no governo, já que a vice-governadora Celina Leão declarou não ter sido consultada sobre a compra.
Além disso, no mês passado, a PGR foi acionada pelo deputado distrital Fábio Félix (PSOL-DF), que pediu a abertura de investigação e o bloqueio de bens do governador, com o objetivo de garantir eventual ressarcimento ao erário em razão de suposto prejuízo relacionado ao caso Banco Master.
