A Câmara Municipal de Formosa, no Entorno do Distrito Federal, adquiriu dois veículos novos que, juntos, somam mais de R$ 500 mil em recursos públicos. As compras foram formalizadas no fim de 2025, durante a gestão do presidente do Legislativo, vereador Felipe Vilarins (MDB).
De acordo com os contratos publicados, um dos veículos adquiridos foi uma Fiat Strada Ultra Turbo, no valor de R$ 145.300, conforme o Contrato nº 59/2025. O segundo é uma Toyota SW4 Platinum, avaliada em R$ 388.900, registrada no Contrato nº 57/2025.
As aquisições chamam a atenção por ocorrerem em um contexto de dificuldades financeiras enfrentadas pelo município, além de carências estruturais em áreas consideradas essenciais pela população, como saúde, infraestrutura e serviços básicos.
Somados, os dois contratos representam um gasto de mais de R$ 530 mil em veículos para uso do Legislativo municipal. Até a última atualização desta reportagem, a Câmara não havia detalhado publicamente a destinação específica de cada automóvel nem os critérios técnicos que justificaram a escolha dos modelos.
O que diz a Câmara
A reportagem procurou a Assessoria de Comunicação da Câmara Municipal de Formosa, mas não obteve resposta oficial sobre as justificativas para a compra de veículos de alto padrão.
Apuramos que a Câmara conta atualmente com sete veículos, que são utilizados pelos 17 vereadores, já que os parlamentares não dispõem de motoristas oficiais. Os automóveis são compartilhados em sistema de rodízio entre os vereadores.
Nos últimos anos foram adquiridos veículos durante diferentes gestões da presidência da Casa. Entre eles, um Toyota Corolla, uma Fiat Strada e a Toyota SW4 comprados na atual gestão. Já em administrações anteriores, teriam sido adquiridos dois Fiat Cronos, um Volkswagen Virtus e um Corolla 2011.
Questionado sobre a necessidade da aquisição de um SUV de alto padrão como a SW4, o servidor afirmou que os editais de licitação costumam prever modelos específicos ou categorias de veículos, e que a escolha não seria uma particularidade da Câmara de Formosa. Ele citou como exemplo a compra de veículos semelhantes por outras casas legislativas, como a Assembleia Legislativa de Goiás.
Especialistas em gestão pública ouvidos pela reportagem avaliam que a contratação de veículos desse porte não é, ilegal, mas pode gerar questionamentos do ponto de vista ético e administrativo, especialmente em municípios que enfrentam elevado endividamento e dificuldades na prestação de serviços básicos à população.
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