A disputa política no Distrito Federal ganhou novos contornos após a governadora Celina Leão (PP) subir o tom contra o senador Izalci Lucas (PL), que é pré-candidato ao Governo do DF. Em entrevista, Celina fez críticas diretas à atuação do parlamentar, especialmente sobre a destinação de emendas. “Se eu fosse atacar, a primeira coisa que eu pediria a ele é que investisse o dinheiro das emendas dele aqui no Distrito Federal, porque a maioria delas está indo para fora em ONGs fantasmas”, afirmou a governadora.
A declaração faz referência ao caso da Associação Moriá. Em fevereiro deste ano, a Controladoria-Geral da União (CGU) informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a entidade “não detém capacidade técnica e operacional necessárias para a execução do volume de recursos federais que recebeu”. Segundo dados públicos, mais de R$ 15 milhões em emendas foram destinados pelo senador à associação.
O embate ocorre em meio a um cenário político considerado contraditório: embora o PL declare apoio à reeleição de Celina Leão, Izalci mantém sua pré-candidatura ao governo local.
Questionado sobre o momento das críticas, Izalci associou o embate ao cenário eleitoral. “É natural que, ao apresentarmos um projeto sólido e alternativo para o Governo do DF, as movimentações políticas se intensifiquem”, disse.
Ele acrescentou que o eleitorado saberá diferenciar debate político de disputa eleitoral. “O povo do DF sabe discernir o que é gestão de qualidade e o que é narrativa de período eleitoral. O foco deve ser solução para saúde, educação e segurança”, afirmou Izalci.
Izalci rebate críticas e fala em “interpretação equivocada”
Em entrevista exclusiva para o Jornal Opção, o senador Izalci Lucas (PL) respondeu às declarações da governadora e negou irregularidades na destinação de recursos. Segundo ele, há uma interpretação incorreta dos dados sobre emendas parlamentares. “É preciso entender a parte técnica antes de fazer qualquer crítica sobre a saída de recursos do Distrito Federal. A questão não é que o dinheiro está indo para outro estado, mas sim uma questão de registro de CNPJ das instituições executoras”, afirmou.
De acordo com o senador, muitas entidades têm atuação nacional, apesar de registros fiscais fora do DF. “O que aparece nos sistemas são dados brutos. No papel, pode parecer que o recurso saiu do DF, mas, na prática, a execução acontece aqui, beneficiando a população local”, disse.
Críticas à gestão do GDF
Izalci também direcionou críticas ao Governo do Distrito Federal, afirmando que há dificuldades na execução de recursos já enviados por ele. “O GDF enfrenta dificuldades crônicas para executar os valores que já enviei. Muitos processos estão parados ou nem começaram”, declarou.
Como exemplo, citou a construção de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) na Estrutural. “São R$ 13,8 milhões já pagos para a obra, que está paralisada e sem previsão de retorno. Isso mostra que o problema não está na destinação das emendas, mas na capacidade de gestão”, afirmou.
O senador também defendeu o envio de recursos para municípios do Entorno do DF, dentro da Região Integrada de Desenvolvimento (RIDE), como forma de aliviar a pressão sobre os serviços públicos da capital.
Relação com o próprio partido
Sobre o fato de a governadora contar com apoio do PL, partido ao qual ele pertence, Izalci minimizou o conflito. “Não existe afronta, existe debate de ideias”, afirmou.
Ele destacou que defende candidatura própria da legenda no DF. “O PL é o maior partido do país e tem todas as condições de ter um candidato próprio. As pesquisas mostram que estamos tecnicamente empatados em primeiro lugar”, disse.
Izalci também citou episódios recentes envolvendo o cenário político local para justificar sua posição, afirmando que seguirá trabalhando para viabilizar sua candidatura nas convenções partidárias. O embate entre governadora e senador evidencia o acirramento do cenário político no DF, com críticas públicas, disputas internas e movimentações antecipadas de olho nas eleições.

