*Por Cintia Ferreira
Quem chega à Cidade Ocidental, no Entorno do DF, pela principal via de acesso se depara com uma estrutura que deveria estar em pleno funcionamento, mas tem mais de ano que os moradores e motoristas não veem ação. O posto policial está instalado nas imediações de uma universidade, comércios, além de ser porta de entrada para o município. Ele está localizado em uma área de divisa entre os municípios de Luziânia e Valparaíso de Goiás.
Na gestão do anterior do prefeito Fábio Corrêa, o posto passou por uma reforma, com subsídios do poder público e dos empresários locais que buscavam mais segurança. Recebeu novas acomodações, estrutura hidráulica e elétrica, além de uma pintura do Tático da PM. Porém, a reforma não foi concluída e não recebeu efetivo policial para o local e esta situação se arrasta há mais de 2 anos.
Moradores que preferem não se identificar, reclamam com a sensação de insegurança no período noturno. “Quando a gente liga para a Polícia Militar acontece de jogar para o Batalhão de Luziânia, ou Valparaíso ou Cidade Ocidental, quando não é atendido por Brasília. É difícil a gente ter um atendimento rápido. Um posto desse poderia ajudar a população daqui que vem crescendo muito com vários condomínios”, relatou uma moradora da região.
A reportagem do Jornal Opção Entorno procurou o secretário municipal de Segurança Pública, Saulo Budin, ele nos atendeu e disse que mesmo sendo no acesso principal à cidade, o espaço não pertence formalmente ao município. “Cumpre esclarecer que o local não integra o território da Cidade Ocidental. Trata-se de uma área de divisa, vinculada ao Estado”, afirmou.
A delimitação geográfica coloca o equipamento em uma espécie de “zona cinzenta”, entre Valparaíso e Luziânia, o que impede uma decisão isolada. Na prática, qualquer tentativa de ativação depende de articulação entre as prefeituras envolvidas e o comando regional da Polícia Militar.
A ideia de transformar o posto em uma base compartilhada chegou a avançar no passado. A proposta previa o revezamento de equipes entre os municípios, como forma de garantir presença contínua no local. Ficou só no papel. Sem acordo, o espaço reformado perdeu função antes mesmo de ganhar rotina. De acordo com Budin, o entrave seguinte é financeiro. Manter policiais fixos exigiria reforço no efetivo e pagamento de horas extras um custo que, segundo o secretário, precisaria ser dividido. “Qualquer iniciativa nesse sentido exige acordo com a Polícia Militar e implica custos adicionais aos municípios, especialmente para manter equipes fixas no local”, disse o secretário.
Hoje, a prioridade tem sido sustentar o policiamento já existente. O município, segundo o secretário, destina recursos para ampliar a presença de agentes nas ruas, tanto por meio da Polícia Militar quanto da Polícia Civil. “Já há investimento para reforçar o patrulhamento e garantir jornadas extras. Isso tem impacto direto na operação diária”, afirmou.
Mesmo reconhecendo o valor estratégico do ponto — por onde passa a maior parte de quem entra na cidade —, o secretário pondera que o entorno imediato concentra demandas que também pesam na equação regional. A leitura é de que o posto está em uma área de interesse compartilhado, mas com responsabilidades difusas. “Há interesse em avançar, mas depende de entendimento entre todos os envolvidos”, resumiu.
Enquanto as tratativas não avançam, o posto segue sem destinação clara. Sem uso institucional, o espaço já apresenta sinais de ocupação irregular, o que reforça a sensação de abandono em um ponto que deveria funcionar como referência de segurança. Para quem passa pelo local diariamente, a estrutura vazia contrasta com o movimento intenso da região e com a percepção de vulnerabilidade típica de áreas de entrada urbana.
Em tratativas com o secretário Saulo Budin, ele ficou de conversar com os representantes da Polícia Militar, visto que o comando regional foi trocado e iniciar novas tratativas com os prefeitos, afim de chegar a um consenso e resolver o impasse.

