Deputados distritais voltaram a cobrar explicações sobre o projeto do Governo do Distrito Federal que prevê o uso de imóveis públicos como garantia em operações financeiras ligadas ao Banco de Brasília. Parlamentares afirmaram que o texto não apresenta dados detalhados sobre o tamanho do prejuízo nem o valor atualizado dos bens incluídos na proposta, o que, segundo eles, dificulta a análise da medida.
A nova versão do projeto estabelece um limite de até 6 bilhões e 600 milhões de reais para operações de crédito com instituições financeiras ou fundo garantidor. O documento também prevê que o governo deverá apresentar outro imóvel como compensação pelo uso de uma área da Terracap. Deputados contrários ao projeto afirmaram que as alterações não resolvem as principais dúvidas e apontaram falta de clareza sobre os impactos da proposta.
Entre os bens que permanecem na lista estão o terreno onde funciona a sede da Novacap e o Centrade, localizado em Taguatinga. Também foram incluídos o parque de serviços da Caesb, utilizado como base administrativa, e uma área de 716 hectares na região da Serrinha do Paranoá. O projeto ainda cita uma servidão administrativa criada em 2022 para a instalação de uma adutora entre o Lago Norte e o núcleo rural de Sobradinho.
Por outro lado, foram retirados da nova versão alguns terrenos, como o Parque do Guará, um lote no Lago Sul próximo à Ponte JK, além de áreas no Tororó, no setor industrial e no Noroeste. A proposta original previa o uso de 12 imóveis públicos como garantia e havia sido protocolada com pedido de urgência.
A discussão ocorreu durante uma reunião reservada realizada nesta terça-feira (24), em uma sala ao lado do plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal, com a presença de 19 deputados. Parlamentares da base governista evitaram falar com a imprensa antes do encontro e alguns utilizaram acessos internos para entrar no local. Já deputados da oposição criticaram a falta de informações completas, incluindo dados sobre auditorias e investigações conduzidas pela Polícia Federal.
Após o encontro, o líder do governo afirmou que não haverá decisão imediata sobre o projeto. Segundo ele, o presidente do BRB foi convidado para comparecer à Câmara Legislativa na próxima semana para prestar esclarecimentos. A expectativa é que os deputados analisem o tema com mais profundidade antes de qualquer votação.
As críticas também foram feitas na tribuna, onde parlamentares afirmaram que o projeto foi enviado sem diálogo prévio e que mudanças no texto foram conhecidas primeiro pela imprensa. Segundo eles, a proposta ainda não apresenta informações suficientes sobre o valor dos bens públicos oferecidos.
Documentos mostram ainda que, em agosto de 2025, o Ministério Público Federal recomendou cautela ao BRB em negociações envolvendo o Banco Master. O órgão alertou sobre a necessidade de análise detalhada dos dados financeiros e citou suspeitas que poderiam afetar a avaliação dos ativos. Em resposta, a Procuradoria-Geral do Distrito Federal afirmou que auditorias seriam realizadas e destacou possíveis benefícios estratégicos da operação.
No entanto, em setembro de 2025, o Banco Central do Brasil decidiu não autorizar a aquisição do Banco Master pelo BRB, encerrando as negociações. O projeto que prevê o uso de bens públicos segue em análise e ainda não tem decisão final.

