O motorista envolvido no atropelamento que resultou na morte do radialista Juarez Vieira, de 64 anos, afirmou em interrogatório que havia consumido bebida alcoólica antes do acidente e que vinha bebendo diariamente nos dias anteriores. As declarações foram dadas durante depoimento à polícia, no qual ele detalhou sua versão sobre o ocorrido e reconheceu a relação entre o consumo de álcool e a morte da vítima.
Ao ser questionado se havia ingerido bebida alcoólica, o motorista respondeu: “Eu bebi Domec.” Em seguida, informou que o consumo não ocorreu apenas no dia do atropelamento. “Desde… já tem mais ou menos uma semana que eu estou bebendo. Todo dia”, disse. Questionado sobre o motivo, afirmou: “Estou de corno.”
No depoimento, o condutor relatou o trajeto que fazia no momento do acidente e afirmou que seguia em direção a Taguatinga para abastecer o veículo, que estaria na reserva. Sobre o atropelamento, declarou: “Na hora que eu entrei naquela curva, o rapaz saiu daquele gramado, do canteirozinho de grama, ele saiu e entrou de uma vez. Eu ainda tentei frear.”
O motorista também afirmou que permaneceu no local após a colisão. “Eu fiquei lá”, disse ao ser questionado sobre o que fez depois do acidente. Segundo ele, havia muitas pessoas na via por se tratar de horário de pico. “Era hora de pico, estava cheio de gente”, relatou. Ele afirmou que tentou prestar socorro, mas foi impedido por pessoas que estavam no local. “Eu tentei acudir, só que o pessoal que estava do lado me parou.”
Ainda de acordo com o depoimento, o condutor disse que ficou em estado de choque após o atropelamento. “Eu fiquei sem reação”, afirmou, acrescentando que chorou no local. “Eu tinha acabado de matar uma pessoa. O que você acha que eu ia fazer?” O motorista disse não saber informar com precisão o horário do ocorrido, estimando que tenha sido por volta das 9h.
Ao final do interrogatório, o motorista reconheceu que o consumo de álcool teve relação direta com a morte. “Eu matei uma pessoa por causa de álcool. Não vou negar, não vou mentir. A verdade é essa”, declarou. Ele também afirmou estar arrependido e disse sentir pela família da vítima. “Eu tô com dó da família do rapaz.”
Questionado sobre a situação documental, o motorista confirmou irregularidades. “Minha carteira tá vencida, meu carro tá com uma multa, eu tô todo desmantelado”, afirmou, acrescentando que estava trabalhando como mestre de obras.
Relembre o caso
O motorista envolvido no atropelamento que causou a morte do radialista Juarez Vieira, de 64 anos, foi colocado em liberdade provisória pela Justiça do Distrito Federal após audiência de custódia realizada no domingo (8/2). No momento do acidente, o condutor apresentava diversas irregularidades, entre elas embriaguez, Carteira Nacional de Habilitação (CNH) vencida e veículo sem licenciamento. A decisão judicial não impede que ele volte a ser preso, conforme o andamento do processo.
O caso ocorreu na manhã de sábado (7), no Pistão Norte, em Taguatinga. Juarez Vieira pedalava pela via de acesso à Estrada Parque Ceilândia (EPCL) quando foi atingido por um veículo, nas proximidades da Academia da Polícia Militar. O Corpo de Bombeiros foi acionado às 10h09 e encontrou a vítima em parada cardiorrespiratória. Apesar das tentativas de reanimação, o óbito foi confirmado no local. Três viaturas atenderam a ocorrência, e as circunstâncias do atropelamento ainda não foram esclarecidas.
De acordo com o Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal (DER-DF), o teste do bafômetro realizado no motorista apontou 1,32 mg de álcool por litro de ar alveolar, índice quase quatro vezes acima do limite que já configura crime. Os agentes também constataram que a CNH do condutor estava vencida desde outubro de 2025 e que o veículo não era licenciado desde 2024. Foram lavrados autos de infração por embriaguez ao volante, CNH vencida há mais de 30 dias e veículo não licenciado, além da remoção do carro ao depósito.
Juarez Vieira era conhecido na comunidade e trabalhava como locutor da Rádio Atividade, onde apresentava o programa “Acorda, Brasília”. Nas redes sociais, ele costumava compartilhar sua rotina de ciclismo e registros de passeios de bicicleta.
Em nota, a Rádio Atividade FM Brasil lamentou a morte do radialista e destacou sua trajetória profissional, a dedicação ao rádio e a relação construída com os ouvintes ao longo dos anos. A emissora afirmou que o legado de Juarez Vieira permanece por meio do trabalho realizado e da lembrança deixada entre colegas, amigos e público.
Não conseguimos localizar a defesa do suspeito. Espaço segue aberto.
