Moradores de Abadiânia, no Entorno do Distrito Federal, estão há cerca de dois anos sem transporte intermunicipal e relatam dificuldades para se deslocar a outras cidades da região e chegar à capital. A falta do serviço tem feito a população recorrer a alternativas irregulares para conseguir cumprir compromissos fora do município.
A cidade fica às margens da BR-060 e está a aproximadamente 90 km de Goiânia. Segundo apuração do Jornal Opção Entorno, a interrupção do transporte já dura cerca de dois anos e tem afetado diretamente a rotina de quem depende de ônibus para trabalhar, estudar ou buscar serviços em outros municípios.
Procurado, o prefeito Itamar Vieira Gomes (PP) afirmou que o problema é antigo e que empresas de transporte não têm interesse no trecho por causa do baixo número de passageiros. De acordo com ele, o volume reduzido estaria ligado, também, à atuação do transporte irregular. “Estamos buscando formas de as empresas assumirem o serviço. Procuramos a Agência Goiana de Regulação para nos auxiliarem nesta situação”, disse o prefeito.
Ainda segundo Itamar, o transporte deve passar por um processo de licitação, mas não há datas definidas. Ele citou duas empresas do município com potencial para assumir a operação: Ouro Preto e Cabral. “Este processo está com a AGR e esperamos logo regularizar este serviço”, completou.
Questionado sobre a fiscalização de motoristas que fazem transporte clandestino, o prefeito afirmou que solicitou apoio da AGR para intensificar a atuação e aplicar multas.
Para moradores que precisam se deslocar para Anápolis, Goianápolis, Terezópolis e Goiânia a ausência de ônibus regulares dificulta a vida das pessoas. Douglas Martins avalia que o transporte irregular reduz a procura pelo serviço oficial, o que impacta a arrecadação das empresas e encarece a operação. “Com menos pessoas pagando passagem, as empresas arrecadam menos dinheiro. Esse desequilíbrio faz com que o custo do serviço aumente”, explicou.
A moradora Ana Carlota lembra que, no passado, havia linha entre Abadiânia e Anápolis, mas diz que hoje a situação é “muito complicada”, especialmente para quem não tem carro. Segundo ela, as lotações cobram valores altos e a população fica sem alternativa. “A população de Abadiânia que não tem condução fica presa na cidade”, relatou.
Ela afirma que há muito tempo não consegue ir a Anápolis por falta de transporte e diz que a falta de mobilidade afeta até momentos de lazer e acesso a serviços. “É chato ficar morando numa cidade que cresceu muito e não ter ônibus”, desabafou.
A Agência Goiana de Regulação foi procurada sobre a licitação e prazo para possível empresa assumir o trecho e até o fechamento desta reportagem, não recebemos resposta.
