Brasília reúne diferentes formas de viver, produzir e receber visitantes. “Brasília é de festivais”, de eventos nacionais e internacionais, mas também do “Turismo Fora dos Eixos”, da natureza, da gastronomia, da produção rural edo design. Essas possibilidades estiveram em destaque na 9ª edição do Lab Day, realizada na última terça-feira, 29 de setembro, no Sebraelab, no Parque Tecnológico de Brasília (BioTIC), que também marcou a apresentação do Radar da Inovação no Turismo.
Com essa temática, o encontro reuniu empreendedores, empresas, startups, representantes do poder público, entidades e negócios de base tecnológica para compartilhar ideias, conhecer soluções e ampliar conexões. Elaborado para reunir tendências, desafios e alternativas tecnológicas para o setor, o Radar integrou uma programação voltada à criação de parcerias e oportunidades de negócios, que também contou com pitches de empresas e momentos de networking.
Realizado mensalmente pelo Sebrae no Distrito Federal, o Lab Day tem como proposta fortalecer o ecossistema de inovação e aproximar diferentes atores em torno de temas estratégicos para a economia. Nesta edição, a programação voltou-se aos desafios e às possibilidades do turismo, incluindo empresas de turismo receptivo e emissivo, meios de hospedagem, agências e operadoras, experiências e atrativos turísticos no campo e na cidade, produção associada e soluções tecnológicas.
Na abertura do evento, a diretora técnica do Sebrae no DF, Diná Ferraz, destacou a diversidade da cadeia turística e o potencial de Brasília para ampliar a atividade. “O empreendedorismo relacionado ao turismo é extremamente rico, diverso e amplo, e Brasília tem muito potencial para desenvolver esse setor. Temos grandes riquezas nas regiões administrativas, e precisamos vivenciar e explorar todo esse potencial”, afirmou.
Para Diná, a estrutura da cidade, a conectividade aérea e a agenda de eventos contribuem para a movimentação do setor. Ela também ressaltou que o turismo alcança empresas de diferentes segmentos e portes. “Temos excelentes equipamentos e espaços com condições de receber visitantes e, atualmente, também contamos com uma agenda de shows e eventos que trazem grandes atrações para a cidade. Precisamos fortalecer toda essa cadeia. Esse é um setor que oferece grandes oportunidades de empreendedorismo, trabalho e geração de renda”, disse.
A diversidade dos participantes foi destacada por Nathália Hallack, analista do Sebrae no DF e gestora do projeto Brasília Destino Turístico Inteligente. Para ela, a aproximação entre empreendedores, instituições e empresas de tecnologia é necessária para integrar diferentes experiências e territórios que compõem o turismo brasiliense. “Brasília é formada por muitas possibilidades, experiências e territórios, e precisamos aproximar essas diferentes iniciativas para fortalecer o destino como um todo. Como sempre digo, é importante apostar no poder do encontro e no poder da conexão”, declarou.

Nathália explicou que o Lab Day funciona como um espaço de articulação entre os diversos atores envolvidos com a atividade turística. “Quando empreendedores, startups, empresas, entidades e representantes do poder público se encontram, surgem novas possibilidades de parceria, inovação e desenvolvimento. É essa construção conjunta que pode fazer Brasília avançar cada vez mais como um destino turístico inteligente, diverso e preparado para o futuro”, ponderou.
Já Laíse Cabral, analista do Sebrae no DF e gestora do projeto Turismo de Natureza e Produção Associada, ressaltou que o desenvolvimento do turismo depende da articulação entre empresas, governo, associações e entidades. “O turismo não acontece de forma isolada. Para que uma experiência turística seja bem-sucedida, precisamos de empresas fortes, com boa gestão, organização financeira, contabilidade estruturada, comunicação e capacidade de planejamento”, explicou.
De acordo com Laíse, o apoio aos empreendedores deve considerar as necessidades específicas de cada negócio. “Nosso trabalho é estar próximo dos empreendedores, entender as necessidades de cada negócio e ajudar a encontrar caminhos para que eles possam se fortalecer e crescer. Sempre que houver uma dúvida, um desafio ou uma necessidade relacionada à gestão e ao desenvolvimento do negócio, estaremos disponíveis para atender e construir soluções em conjunto”, afirmou.

Inovação como necessidade
A programação contou com a participação de Marta Poggi, mentora de inovação e tendências no turismo e na hotelaria. A especialista apresentou tendências que vêm transformando o setor, entre elas o uso de inteligência artificial, os agentes capazes de executar tarefas, as viagens com propósito e a busca por experiências relacionadas ao bem-estar.
Segundo Marta, as mudanças no comportamento dos consumidores exigem que empresas e destinos revisem produtos e serviços oferecidos há anos. “O mundo está mudando, e o turismo acompanha essas transformações. Quando falamos em inteligência artificial, não estamos tratando apenas de ferramentas para responder a uma necessidade, mas também de soluções capazes de executar tarefas por nós. Também estamos falando de viagens com propósito, bem-estar e outras tendências que mostram que as pessoas estão buscando novas formas de viajar e de consumir”, salientou.
A mentora destacou que os pequenos negócios representam a maior parte das empresas do setor e, muitas vezes, enfrentam limitações para acompanhar as transformações tecnológicas.

“Mais de 90% das empresas que atuam no turismo são pequenos negócios, e muitas vezes elas enfrentam dificuldades, inclusive por causa da própria estrutura, para acompanhar todas essas inovações. Eu costumo dizer que inovar não é uma opção, mas uma necessidade”, disse.
O Radar da Inovação no Turismo é organizado em quatro capítulos e reúne tendências do setor, desafios enfrentados por pequenas e médias empresas, vetores de inovação e sugestões de soluções tecnológicas aplicáveis ao turismo.
O conteúdo aborda ainda as chamadas traveltechs, empresas que desenvolvem tecnologias para atividades relacionadas a viagens, hospedagem, experiências e destinos. A proposta é facilitar o acesso de empreendedores que não necessariamente atuam na área de tecnologia a ferramentas voltadas para hotéis, restaurantes, atrativos turísticos e guias.
“Muitas dificuldades enfrentadas por empresários do turismo já podem ser solucionadas por empresas especializadas, com ferramentas acessíveis e que cabem no orçamento de pequenos negócios. São soluções voltadas para hotéis, restaurantes, atrativos, destinos e guias”, explicou Marta.
Tecnologia brasileira para o turismo
O supervisor de inovação da Embratur, Lucas Lins, apresentou a EmbraturLAB, laboratório de inovação da instituição. A iniciativa busca aproximar empresas brasileiras que desenvolvem tecnologia do mercado turístico.
“As empresas brasileiras que desenvolvem e comercializam tecnologia precisam ser aproximadas do mercado do turismo. Não se trata de ser contra as soluções estrangeiras, mas, em muitos casos, é mais vantajoso negociar com uma empresa brasileira”, assegurou.

Entre os fatores apontados por Lucas estão a proximidade cultural, os custos e a capacidade de compreender as necessidades específicas do mercado nacional. “Uma empresa brasileira compreende melhor a realidade do nosso mercado e consegue oferecer soluções mais adequadas às necessidades locais”, explicou.
O supervisor também destacou que a tecnologia ainda não foi incorporada plenamente por todos os segmentos do turismo e que é necessário apresentar as soluções a diferentes instituições e perfis de empreendedores. “Nosso papel é justamente posicionar essas soluções e fazer com que elas cheguem às prefeituras, às secretarias de Estado, às associações, ao trade turístico e a outras entidades do setor. Também queremos aproximar essas tecnologias dos pequenos empreendedores, dos hoteleiros, dos bares, dos restaurantes, dos coletivos e de todos aqueles que trabalham com turismo e hospitalidade”, disse.
A EmbraturLAB já mapeou cerca de 800 startups e estabeleceu aproximação com oito instituições de ciência e tecnologia, entre elas o Porto Digital, em Recife, a Associação Catarinense de Tecnologia e parques tecnológicos de diferentes regiões do país.
Como parte desse processo, a Embratur pretende disponibilizar, em parceria com outras instituições, uma vitrine de soluções tecnológicas. A plataforma reunirá tecnologias desenvolvidas pela própria EmbraturLAB, soluções disponibilizadas pelo Sebrae e ferramentas oferecidas por empresas de diferentes estados.
Além da EmbraturLAB, outros 12 expositores apresentaram suas iniciativas para fortalecer a cadeia do turismo no Distrito Federal.
Pitches apresentam soluções
A programação avançou com a apresentação de pitches, formato que vem sendo incorporado às edições do LabDay como uma vitrine para pequenos negócios e empresas inovadoras. Cada participante teve espaço para apresentar sua solução ao público e, posteriormente, aprofundar as conversas nos estandes montados no local.

Participaram da atividade representantes da EnoRide, Influ Brasília, Tchintchin, Retrilhar, Norteia, Visite Brasília, Cerrado Experience, Whis, Mesa pra2 e Descobertas Bárbaras, iniciativa da jornalista e cerimonialista Bárbara Lins.
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Créditos das Notícias Sebrae DF
