A Escola Técnica de Santa Maria serviu de cenário para o encerramento do Projeto Empresa Simulada. A atividade, realizada na última segunda-feira, 15 de junho, reuniu estudantes do Núcleo de Empreendedorismo Juvenil (NEJ) para uma experiência prática capaz de transformar conceitos abstratos em aprendizado concreto. O evento celebrou a conclusão das atividades desenvolvidas ao longo de todo o ano letivo e proporcionou aos estudantes do curso uma vivência real sobre o funcionamento de um pequeno negócio, abrangendo desde o planejamento estratégico até a simulação de vendas, relacionamento com fornecedores, gestão de equipe e atendimento ao cliente.
As apresentações do projeto foram iniciadas na parte da tarde e foram acompanhadas por representantes da instituição de ensino, do Sebrae no DF e da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF).
Entre eles, a assessora da Diretoria de Educação Profissional da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal, Marisa Batista, que destacou o valor estratégico da parceria construída e mantida entre a pasta e o Sebrae para o fortalecimento da educação na rede pública. Na avaliação dela, a colaboração tem funcionado como um diferencial decisivo ao oferecer caminhos concretos para a inserção profissional, especialmente para estudantes que enxergam no empreendedorismo uma alternativa de geração de renda ou desenvolvimento de negócios próprios.
“O curso do NEJ é de altíssima qualidade e é sempre muito bacana acompanhar as atividades como essa e ver que os estudantes estão recebendo uma formação diferenciada dentro da escola pública. O projeto faz uma diferença real na vida da comunidade, pois percebemos que os estudantes, ao explicarem os processos de gestão e vendas, demonstram que aprenderam muito além da simples comercialização de produtos. Eles compreendem a complexidade do negócio e isso motiva a permanência no estudo e o desenvolvimento de competências para a vida”, comentou a assessora.
À frente da gestão da Escola Técnica de Santa Maria, Deise Luciene destacou a parceria com o Sebrae no DF como um divisor de águas. Segundo ela, mais do que conteúdo técnico, o NEJ fomenta o protagonismo juvenil, transformando a percepção dos alunos e reduzindo a necessidade de busca por oportunidades fora da região.
“Uma das grandes diferenças que percebi desde a implementação do curso é que estamos conseguindo mostrar aos estudantes que há grandes oportunidades aqui em Santa Maria. Muitos não querem sair da cidade e revelam o desejo de empreender localmente. O que vemos, com resultados práticos, é que a nossa comunidade possui muito espaço para isso”, observou a dirigente.
O protagonismo estudantil destacado pelas gestoras era nítido nos projetos apresentados ao longo do evento, como o que a estudante Vitória Farias esteve envolvida. Aos 18 anos, ela ajudou a dar forma à Encanto Gelado, uma marca que que nasceu da observação do cotidiano e para oferecer uma nova experiência com a comercialização de dindins gourmet.

Ao abraçarem a ideia, a jovem e os demais colegas de classe profissionalizaram o modelo de negócio, aplicando conceitos de valor agregado, estratégias de fidelização e até a criação de brindes para clientes associados. A experiência permitiu que o grupo vivenciasse o ciclo completo de um empreendimento, superando a barreira entre o conceito escolar e a realidade do mercado.
Para Vitória, o exercício foi além da técnica, revelando um interesse pelo universo dos negócios que ela desconhecia possuir. “Foi um momento de muito aprendizado. Eu nunca achei que fosse me interessar por esse tipo de assunto, mas aprender sobre empreendedorismo foi muito bom. Creio que isso vai me ajudar em várias áreas da minha vida a partir de agora”, resumiu a estudante.
Seguindo a mesma lógica de transformação de ideias em práticas de mercado, o estudante Gelson Felipe da Costa foi um dos membros a apresentar os resultados da Tavares Sabores. Segundo ele, a simulação foi o gatilho necessário para tirar uma empresa do papel. “A empresa nasceu de uma proposta de uma colega. Ela tem o hábito de fazer doces, mas mantinha o negócio ainda como algo restrito. Era algo que ainda estava no papel, podemos dizer. Com o que aprendemos no NEJ, usamos o escopo que ela tinha e amadurecer a ideia e colocar em prática”, explicou.

Durante o evento de simulação, o grupo apresentou amostras de brigadeiros e outros doces voltados ao público que buscou conhecer o plano de desenvolvimento da marca, entre outros detalhes. “O que vivemos ao longo desses últimos meses foi uma experiência interessante e, ao mesmo tempo, desafiadora. Criar todo o conceito, fazer as pesquisas, elaborar os produtos, falar sobre a proposta, vender e captar clientes nos permitiu compreender melhor o que aprendemos em sala de aula. Ter essa experiência fez toda a diferença para entendermos a complexidade do que é empreender nos dias de hoje”, complementou Gelson.
Outro destaque apresentada na vitrine de negócios foi o projeto Bolos da Tia Cecy, que tem foco na produção de bolos caseiros feitos com produtos orgânicos e no uso de embalagens biodegradáveis. A simulação teve como uma das líderes a estudante Cláudia Borges que detalhou o processo de construção da marca e destacou aos visitantes a importância de alinhar o modelo de negócio à crescente demanda do mercado por práticas sustentáveis.

Mais do que uma simulação, a experiência realizada na Escola Técnica de Santa Maria foi determinante para o plano de carreira de Cláudia. Ao organizar desde estratégias de fidelização até a viabilidade comercial, a estudante diz ter confirmado a vocação para empreender e já vislumbra dar continuidade a proposta de negócio. “Foi muito gostoso ver todo o processo acontecer e entender que vale a pena investir nesse caminho. Penso, sim, em empreender e seguir no ramo alimentício, seja com bolos ou salgados. Entendo que é um uma oportunidade de negócio em crescimento e, se bem gerido, tem altas chances de sucesso”, afirmou.
Todo o empenho e dedicação demonstrada pelos estudantes reflete o trabalho de estruturação conduzido pela equipe de professores do NEJ da Escola Técnica de Santa Maria. Gessika Monique Almeida, foi uma das responsáveis pelo apoio aos participantes do projeto e ressaltou que a atividade foi o diferencial para que os alunos pudessem vivenciar, na prática, a complexidade de um negócio.

Segundo a educadora, o amadurecimento dos jovens durante o semestre foi evidente, não apenas na elaboração dos planos, mas também na capacidade de mobilização e engajamento com o público. “Eles conseguiram fazer uma ótimo trabalho e me surpreenderam positivamente. Pelo resultado que entregaram hoje, eu daria nota dez para todos”, assegurou a professora.
Negócios colaborativos
A programação do evento também se estendeu pelo período noturno, dando palco a novos projetos e estudantes e revelando a aposta em modelos de negócios baseados na economia colaborativa.
A primeira iniciativa a exemplificar essa visão foi a Dom Sertão, uma loja que unifica a riqueza cultural da região em um só ambiente. Segundo o estudante Harthur Kennedy, a escolha do tema surgiu de um debate em sala de aula sobre o potencial desse modelo compartilhado. “A professora nos deu a ideia e nos apaixonamos pelo conceito, porque o sertão é muito vasto e nos permite trabalhar com diversos itens, como comidas típicas, bebidas, vestuário e artesanato”, explicou.
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Ciente da diversidade, Harthur e os demais alunos envolvidos no projeto recorreram a pesquisas para criar o portfólio de produtos, compreenderam técnicas de comercialização e até desenvolveram propostas visuais para lojas em diferentes locais. “Participar do NEJ como um todo foi decisivo para todos nós. O curso é muito bom porque realmente ensina a ter foco para empreender. Mas esse projeto, em especial, foi determinante para aprendermos que, quando um negócio tem uma identidade clara, o público já chega com interesse e isso facilita e muito a vida de uma empreendedor”, comentou.
Mesmo sem a pretensão de abrir o seu próprio negócio de forma imediata, o estudante ainda relatou que compreende melhor a importância do planejamento para ter sucesso nos negócios. “É o bê-á-bá. Planejar é algo básico para crescer em qualquer área”, acrescentou.
Seguindo a mesma lógica, outra marca a participar da simulação foi a Espaço Criativo, que contou com o envolvimento da estudante Gilsilene de Jesus. Ela contou que a ideia do grupo foi criar um ambiente de locação compartilhada, que funcionasse como ponto de comercialização para artesãos e manualistas, adotando um modelo que permite que pequenos empreendedores ocupem o espaço por períodos curtos, de sete a dez dias.

“Percebemos que o custo de um aluguel comercial convencional é uma barreira para quem atua com trabalhos manuais. Nossa proposta permite que esses profissionais testem o mercado e alcancem uma renda extra com um investimento muito menor”, detalhou a estudante.
Para Gilsilene, a participação no projeto foi, acima de tudo, uma jornada de descoberta. Ao avaliar a experiência de organizar uma empresa, a estudante destacou que a complexidade de gerir um modelo de negócio coletivo trouxe lições que ultrapassam o ambiente escolar. “Conseguimos evoluir muito com esse projeto. Tudo o que fazemos aqui foi uma grande oportunidade de aprendizado. Esse exercício me mostrou como é fundamental entender todas as engrenagens de um empreendimento para que ele realmente funcione na prática”, analisou.
O terceiro empreendimento a ser simulado durante a realização do evento da Escola Técnica de Santa Maria foi do segmento de beleza e também seguiu o modelo colaborativo. Os estudantes estruturaram um espaço completo para agrupar profissionais de estética, cabelos, unhas e maquiagem, oferecendo desde cadeiras individuais até salas equipadas, com o diferencial de integrar a recepção e a venda de produtos cosméticos.

Para Débora Paixão, uma das integrantes do grupo que desenvolveu a iniciativa, a experiência foi uma oportunidade de autoconhecimento profissional. Embora tenha concluído que a gestão de empresas não esteja entre seus planos imediatos, ela reforçou a importância das competências adquiridas durante a simulação. “O aprendizado é sempre o mais importante, independentemente da carreira que a gente escolha seguir. Participar de todo esse processo, desde a organização até o atendimento final, me deu uma nova perspectiva sobre como as coisas funcionam na prática, o que é um conhecimento valioso para a vida toda”, complementou a estudante.
Entre os nomes por trás das propostas apresentadas durante a noite está o da professora Izeida Neves de Menezes. Ao notar a indecisão dos estudantes para a escolha dos projetos, ela apresentou em sala de aula o conceito e exemplos de lojas colaborativas. Segundo ela, o tema soou inovador para os estudantes, foi rapidamente compreendido e utilizado pela turma para um amplo trabalho de pesquisa. “O objetivo central era mostrar que há muitos pequenos empreendedores em Santa Maria que muitas vezes precisam se deslocar para outras regiões para escoar seus produtos”, contou.
Com o detalhamento, a educadora provocou os estudantes, afirmando que esse processo poderia ser realizado na região administrativa, caso houvesse algum espaço colaborativo propício. “Eles compraram a ideia e se aprofundaram no tema e eu estou adorando ver os resultados. Eles estão conseguindo vender o conceito e passar essa informação adiante, para pessoas que às vezes nem conhecem o que é um negócio colaborativo. Não se trata apenas de pensar em criar lojas, mas de oferecer espaço que permitam que os pequenos empreendedores possam crescer”, concluiu Izeida.
Sobre o NEJ
O Núcleo de Empreendedorismo Juvenil é uma iniciativa lançada pelo Sebrae no Distrito Federal em maio de 2022, seguindo um modelo de sucesso implementado pelo Sebrae Minas Gerais.
Com a parceria da Secretaria de Estado de Educação do DF (SEEDF) e por meio de uma metodologia inovadora, estudantes da rede pública recebem, de forma gratuita, formação técnica focada na gestão de negócios. Isso permite que os estudantes tenham contato com o mundo corporativo e desenvolvam projetos pensados para empresas e situações reais, um grande diferencial na formação para o mercado de trabalho.
Créditos das Notícias Sebrae DF
