A deputada federal Bia Kicis (PL-DF) respondeu os questionamentos do Jornal Opção sobre possível emenda destinada à produção do filme do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em nota divulgada, a parlamentar nega que tenha destinado recursos públicos para a produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente, investigada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em apuração conduzida pelo ministro Flávio Dino.
A parlamentar reagiu às representações apresentadas pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP) e pelo deputado Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ), que apontam possíveis irregularidades no envio de emendas parlamentares para entidades ligadas à empresária Karina Gama, responsável pela produtora Go Up Entertainment, a empresa Instituto Conhecer Brasil e à Academia Nacional de Cultura.
Segundo Bia Kicis, a única emenda destinada por seu gabinete para produção audiovisual foi no valor de R$ 150 mil e tinha finalidade “cultural e educativa”, sem relação com a cinebiografia de Bolsonaro. “O projeto contempla a produção dos episódios ‘Portugal: Luz para o Brasil’, ‘José de Anchieta, o Apóstolo do Brasil’ e ‘Dom Pedro I: o Libertador’”, afirmou a deputada na nota.
De acordo com a parlamentar, a iniciativa teria potencial de alcançar mais de 100 mil estudantes e cerca de 500 mil pessoas, além de prever a geração de 60 empregos diretos e 150 indiretos.
A deputada também afirmou que os recursos “sequer foram pagos até o presente momento”, sustentando que não houve execução financeira da emenda.
STF investiga
A manifestação de Bia Kicis ocorre após o ministro Flávio Dino abrir uma apuração preliminar para investigar o envio de emendas parlamentares para organizações ligadas à produtora responsável pelo filme “Dark Horse”.
A investigação tramita sob sigilo no âmbito da ADPF 854, ação que trata da transparência e rastreabilidade de emendas parlamentares.
Na decisão, Dino determinou a intimação da Câmara dos Deputados e notificou parlamentares citados na representação, entre eles Bia Kicis, Mário Frias (PL-SP) e Marcos Pollon (PL-MS), para que prestem esclarecimentos.
As representações apontam que o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC), entidades ligadas à empresária Karina Gama, receberam recursos de parlamentares do PL.
Segundo os documentos apresentados ao STF, a ANC recebeu cerca de R$ 2,6 milhões em emendas parlamentares enviadas por deputados bolsonaristas, incluindo:
- R$ 1 milhão de Marcos Pollon;
- R$ 1 milhão de Carla Zambelli;
- R$ 500 mil de Alexandre Ramagem;
- R$ 150 mil de Bia Kicis;
- R$ 200 mil do deputado estadual Gil Diniz.
As verbas teriam sido destinadas à série documental “Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que Não se Rende”.
Na nota oficial, Bia Kicis afirma que houve “distorção da finalidade real dos recursos públicos empregados” e classificou como falsa a associação entre sua emenda parlamentar e a produção do filme sobre Bolsonaro.
A deputada afirmou ainda que os recursos foram direcionados a um projeto voltado à “valorização da história nacional” e ao fortalecimento da economia criativa. “Reitera, ainda, o repúdio a interpretações equivocadas ou tentativas de associação indevida da emenda parlamentar a finalidades diversas daquelas efetivamente aprovadas e executadas”, declarou.

